18 de abr de 2010

Odeio Surpresas...


Eu definitivamente não gosto de surpresas.


Nunca gostei.

Quando criança detestava a espera pela fatídica noite feliz. Somente nela podíamos finalmente saber o que o bom velhinho havia nos proporcionado como recompensa pelo bom comportamento. Nunca estava a altura das minhas expectativas. Nunca. Ou a boneca era loira e queria morena. Ou chorava e eu queria que risse. Ou tinha cachos e eu, por motivos óbvios, preferia cabelos lisos.

Não! Por favor, peço que não me considerem uma eterna insatisfeita.

Tudo seria diferente se não houvesse um ingrediente: a surpresa. Sou mais receptiva se participo das decisões.

Um dia, na vida adulta, atendi o interfone de meu apartamento. Uma voz meio apavorante disse-me:

- Tenho uma encomenda para senhora de seu marido!

Autorizei a "voz" a subir.



Antes de continuar preciso fazer algumas considerações sobre o prédio que morava. Eram apenas dois andares. Quatro apartamentos por andar. Sem elevador. Minha vizinha da frente era a mãe de uma deputada famosa. Vale ressaltar que era a mais votada da história. Esta senhora recebia sempre visitas dos filhos, inclusive da filha ilustre. Que deixava lá aos cuidados da avó, seus rebentos.



Pois bem. Voltemos a minha história.

Como disse recebia uma encomenda. Uma "surpresa" como podem ter percebido.

Abri a porta e enquanto abria as grades podia ver subindo pelas escadas o mais lindo, o maior, o mais colorido, o mais iluminado arranjo de flores que já vi na vida. Com celofane rosa e tudo mais. Fazia uma barulho assim flap flap flap...

Minhas mãos tremulas abriam rapidamente a última das três fechaduras daquela grade. . .

Era tão grande o buque que eu não enxergava absolutamente nada atrás, nem o entregador que se equilibrava todo.

Sorridente com tamanha ousadia já me preparava para a esperada cara de surpresa...
Quando para minha decepção o entregador faz a curva e se dirige ao apartamento da vizinha da frente.

A tal velha que falei, mãe da deputada.

Atrás dele outro entregador. Da Liquigás. Que com um palito entre os dentes [juro!] disse: me:

- Dona Lizandra, me pediram para deixar um "botijão" aqui. Já tá "acertado".

Fiquei muda! Meio que tremendo. Gaguejando. De ódio. De raiva. De tristeza.

Mas aceitei. Afinal precisava mesmo de gás e meu marido sempre soube que não gostava de surpresas...

Depois deste dia passei definitivamente a odiá-las.

Na minha vida tudo tem explicação.

1 comentários:

Jane Murback disse...

HAHAHA, amei, duas membranas explicadinhas.
Também odeio surpresa, festa de aniversário surpresa então... imploro para não me fazerem tal agrado, sob pena de eu ficar de mal pra sempre!
Bjo

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Obrigada pela curiosidade...
minhas palavras são sinceras.
Reflexo do que vivo, ouço, vejo!

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